domingo, 18 de março de 2012

Nahor, o poço e o balde


Em certa cidade, no deserto da Judeia, havia um poço artesiano de pedras. Todos utilizavam esse poço, porém, junto ao mesmo, não havia um meio fixo de se tirar a água dali. Apenas uma corda podre, quase a arrebentar, servia aos moradores. Além disso, cada pessoa que desejasse tirar água, tinha que trazer o seu balde, ânfora, ou o que tivesse em mãos.

Certa vez, um homem muito inteligente, chamado Nahor, veio morar naquele lugar, e passou a trabalhar no cuidado de um pequeno rebanho de animais que pertencia a todos que moravam na comunidade. Ninguém dava muita atenção àquele rebanho, a não ser um outro homem que tinha se mudado para bem longe.


No primeiro dia, vindo Nahor até ao poço para tirar água para os animais, se deparou com aquela situação. Não havia um meio confiável para se tirar água. Então, foi até a uma cidade vizinha, adquiriu alguns materiais e, ao voltar, fabricou um balde de madeira e adaptou a ele uma corda bem reforçada para facilitar o içamento.


Logo após concluir sua invenção, a trouxe e começou a tirar água do poço. Cinco minutos depois, apareceu um jovem que cuidava das plantas ornamentais da pequena praça que havia na cidade. Ele precisava, com urgência, regar aquelas plantas. Então, Nahor parou o seu trabalho e emprestou o balde que fizera ao jovem. Este o tomou e tirou água por cerca de meia hora. Ao terminar, deixou o balde ao lado do poço e foi embora.


Dez minutos depois, quando Nahor continuava seu trabalho, e que ainda não havia terminado, veio até ao poço uma senhora. Dizia ela que havia saído às pressas de casa para coletar água, a fim de lavar algumas roupas das crianças do abrigo de órfãos. Entretanto, a tal senhora não havia se lembrado de trazer um recipiente também.


Nahor sorriu para aquela senhora, parou seu trabalho e gentilmente cedeu o poço mais uma vez. Vinte minutos depois, pôde continuar a tirar água para os animais do pequeno rebanho.


Concluído o trabalho, Nahor continuou com os outros afazeres que tinha agendado. No final do dia, já exausto, pensou que não haveria problemas em deixar sua invenção no local. Ele estava longe do poço e argumentou consigo mesmo que não compensaria voltar lá para pegar, pois a usaria no dia seguinte.


E isso sucedeu por alguns dias. Enquanto isso, Nahor dava o seu melhor, mas ninguém reconhecia ou elogiava seu trabalho de pastor.


Certo dia, Nahor dirigiu-se ao poço e, para sua surpresa, ele estava totalmente bloqueado com um montão de pedras enormes e o balde que fizera havia sumido. Não havia vestígio algum de madeira, nem de corda. Entre algumas pedras, avistou um pergaminho. Abriu e leu a seguinte inscrição: "Se quiser utilizar a água desta comunidade, procure o administrador da cidade. Temos um novo poço e em outro lugar".


Todos haviam pensado que Nahor estava coletando a preciosa água para cuidar de seu próprio rebanho, mas ele estava cuidando do pequeno rebanho que pertencia a todos que moravam na comunidade.


Onde está o novo poço? Estaria o balde junto dele?


A resposta para essas questões, ele ainda não tinha.


Nahor, porém, estava muito triste por não ter sido valorizado e passou a se perguntar:


"Será que ninguém percebeu, até hoje, que o pequeno rebanho que eu estou cuidando pertence a todos que vivem nesta comunidade?"


Moral: Um pequeno rebanho pertence a toda comunidade e, em maior nível, pertence ao nosso Deus. Ainda que seja pequeno, é preciso que todos tenham cuidado do rebanho de Deus, não destruindo o trabalho daqueles que se empenham por ele e querem fazer o melhor pelo que está sendo esquecido dentro da própria comunidade.

(Baseado em fatos reais. História e personagens fictícios. Autoria: #EnsaioProfético).

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